sexta-feira, 21 de setembro de 2012

AUSTRALIA  -  PARTE II


Passamos por Sydney, curtimos estar numa cidade grande, bem planejada, muito cosmopolita, com uma ótima rede de transporte público. Músicos tocam didgeridoo no Caís e é bem legal ver os movimentos abdominais que é preciso fazer para tirar som deste instrumento. Este "caís" de Sydney é ponto de embarque nos inúmeros barcos que fazem travessias entre as ilhas/bairros. É cheio de restaurantes, sorveterias. O Museu de Artes Modernas também está ao redor e fui ver a Bienal 2012. Super legal!!! Percorri o setor de artistas asiáticos e africanos e fiquei muito feliz em ver a criatividade de artistas que vivem em países com severas condições de vida. Os trabalhos eram, na maioria, coletivos e exploravam o uso de material reciclado. Amei!! 



Para aqueles que gostam de natureza, o que vale muito a pena conhecer na região de Sydney são as BLUE MOUNTAINS. Estas montanhas são cobertas por eucaliptos que produzem óleo. Pequenas gotas de óleo se espalham no ar e se misturam a partículas de poeira e vapor de água que formam raios de ondas curtas predominante na cor azul, projetando-a nas pedras das montanhas, criando o efeito azulado. Existem umas trilhas dentro do parque nacional e bondinho, monotrilho e "sky rail" para atravessar as montanhas, ver as cachoeiras. Famoso em Sydney é o teatro OPERA HOUSE. O lindo Jardim Botânico está coberto com flores coloridas neste inicio da Primavera.




Voamos de Sydney para Cairns para nossa grande aventura na Barreira de Corais. Cairns  é bem tropical. Completamente diferente das cidades no Sudoeste da Austrália. Exuberante em verde.  A maioria das plantas existente no Brasil é encontrada  aqui.  A temperatura também é bem mais alta. E a água do mar não tão gelada.  No estado de Queensland existem vários animais extremamente perigosos e, surpreendente para mim, existe o jacaré de água salgada que ataca os banhistas  nos meses de verão. Existem placas alertando os banhistas. E histórias sinistras de ataques. E muitas águas vivas e frascos com vinagre nas praias para socorrer os banhistas que forem atacados.  Uma espécie de água viva é fatal. Ela bloqueia o sistema nervosos central com seu veneno.
Ah.... existe placa alertando sobre a travessia de jacarés do mar para as lagoas próximas. rssss
A Grande Barreira de Corais????  Bem.... sabe quando alguém cria uma enorme expectativa... E daí não é TUDO aquilo.  A Grande Barreira de Corais deve ser TUDO AQUILO e até mais do que se ouve, mas são ambientalmente protegidas e os barcos que levam os turistas para conhecê-la, fazer mergulho e explorar só têm permissão para visitar uma área ínfima. Nós estivemos em dois pontos distintos. Cada barreira tem um nome específico, mas a GRANDE barreira cobre uma área de 2300 km de comprimento e sua largura varia de 20 a 240 km. . Elas são mais exploradas turisticamente aqui em Cairns, mas se estendem por uma área que chega até Papua Nova Guiné.  A riqueza da fauna e da flora marinha é incrível.  Podem-se fazer mergulhos com cilindros, ou simplesmente usar o snorkel e ficar nadando sobre as barreiras e usufruir as belezas das cores diferentes dos corais, se divertir com as dezenas de peixes coloridos, identificar os “peixes palhaços”, dos quais o famoso NEMO faz parte, e até nadar ao lado de tartarugas. Pequenos tubarões inofensivos também habitam estas águas.  O preço para um dia a bordo de um barco, incluindo almoço, uso da roupa de neoprene, máscaras, snorkel e até com direito a um primeiro “scuba diving” custa ao redor de AU$ 160,00. (aprox.. US$ 180,00).  Lógico que existem opções para passeios mais sofisticados e mais caros.  Para quem não é aficionado por mergulhos, eu acredito que poderá curtir mais sobrevoar as barreiras num dia claro, para poder ver –lá no fundo do mar- o incrível colorido  criado pela imensa biodiversidade.  Existem aviões anfíbios que podem propiciar uma visão bem clara.
O estado de Queensland é um GRANDE produtor de cana de açucar e a Austrália é o MAIOR exportador de açucar no mundo. Eu nem desconfiava e me surpreendi!! E com uma vantagem sobre o Brasil. Sistema de transporte ferroviário... eficaz e mais barato.






Meus queridos:  sinto muito que este relato esteja tão sem entusiasmo. Eu só estou conseguindo escrevê-lo depois de duas semanas e depois de visitar a Nova Zelândia... E, depois de visitar a Nova Zelândia, não consigo sentir entusiasmo em falar de Sydney ou Cairns... Quero seguir direto para a Nova Zelândia e colocar minha emoção diante da beleza  da Ilha do Sul. Eu quero antecipar que a beleza é indescritível... Mas eu vou tentar passar para Vcs meu encantamento.
rsss.... como diria Vinicius de Morais: "As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental". O que eu quero dizer com isto?? Simples assim: AUSTRÁLIA,  Você é linda, mas diante da surpreendente beleza da NOVA ZELÂNDIA, te peço humildes desculpas. rssss.




quinta-feira, 20 de setembro de 2012


AUSTRÁLIA

Fiz algo de bom porque ganhei presentes incríveis... insubstituíveis.
A natureza me presenteou com o que ela tem de mais bonito. O Sudoeste da Austrália é exuberante.  Rico em cavernas onde se pode caminhar muito perto das estalactites e estalagmites. Precisa caminhar agachada para ir a profundidades de até 12  mt no interior das grutas.
Rico em vegetação diferente.  Agora é inicio da Primavera e as flores selvagens estão começando a florescer, espalhando arbustos coloridos misturados e enredados. E os bosques de eucaliptos nativos faz com que eu pare o carro para respirá-los.  As praias ainda são selvagens, dando-me a impressão gostosa de ser uma desbravadora que pisou pela primeira vez em areias nunca dantes caminhadas. O mar costuma estar “desgrenhado” (smile). É bem isto.  Venta muito por aqui e o mar fica como os cabelos longos e encaracolados  da Gabriela Cravo e Canela quando soltos.  Não tão escuros, porém.... Normalmente –em dias ensolarados- as águas são verdes azuladas cristalinas.
De repente o Oceano Índico encontra-se com o Oceano do Sul e os variados tons de verde e azul competem nas suas belezas. Existe um farol no Cabo Leewin que marca este território disputado pelos dois fortes oceanos, com direito a uma placa com setas indicando que lado pertence a um e que lado pertence ao outro.  Mesmo assim, eles brigam!! Suas águas formam ondas que vêm de ambas as direções e que explodem  em rochas no meio das águas.  E para coroar a beleza deste cenário, as baleias estão habitando estas águas e se consegue ver o “splash” poderoso das suas respirações. 
Eu me sinto impotente para tirar fotos. É tudo maior do que o infinito e eu sei que não vou conseguir ser justa com esta paisagem. Trago as imagens no coração, não quero perder a oportunidade de vivenciar este momento e –desculpem-me- mas não tenho fotos para compartilhar.


Continuo a viagem... Vou mais em direção ao Sul. As estradas são muito bem cuidadas, mas estreitas, sem qualquer ponto de auxílio ao usuário . Não existem postos de abastecimento, restaurantes. Mas as distâncias entre as cidades não são grandes. Só é preciso planejar. E se divertir com as placas: “canguru atravessando”, “ema atravessando”, “tartaruga atravessando”.  Dirigir com cuidado.  Em um trecho de uns 10 kms tive uma ema e dois cangurus atravessando um pouco a frente do meu carro. Já passamos por Augusta, estamos a caminho de Walpole, via Pemberton.  Todas cidades bem pequenas, com suas delicadezas. Temos um problema sério... Dirigimos e não queremos parar cedo para almoçar. Só que, por volta das 15:30 hr, tudo fecha e só volta a abrir às 18:00 hr. Ficamos sem almoço alguns dias.
Em Walpole estaremos atrás das famosas árvores TINGLE e KARRI. São duas espécies de eucaliptos. A TINGLE pode ter diâmetros de até 20 metros e vivem até 300 anos. A KARRI é o eucalipto mais alto e pode alcançar até 90 mt de altura.  Eles são nativos do Sudeste e começamos a vê-los ao longo da estrada.  São massivos!! Existe um parque nacional e construíram um “Passeio no Topo das Árvores”.  Passarelas super bem construídas, com até 40 mt de altura. Está frio, garoa de vez em quando e é mágico caminhar nestas passarelas. As árvores ainda parecem maiores quando se olha para cima ou mesmo de cima para baixo e o longo tronco se estende até o solo coberto de folhas secas, galhos, troncos de árvores antigas que caíram ou tiveram que ser derrubadas por estarem ameaçando a passarela, ou por estarem doentes. E o vento balança os galhos acima de nós. Neste parque existe este passeio pela passarela e outro com uma guia que nos conduz  à área de árvores ancestrais. Ela vai nos mostrando plantas que eram usadas pelos aborígenas como remédios, como utensílio. E nos leva até a árvore mais antiga do parque: 300 anos. Várias destas árvores passaram por uma queimada muito forte na década de 1970 e tiveram o centro dos seus troncos queimados. Resistiram porém.  E neste espaço vazio, em forma de uma cabana de índio, é possível estacionar até uma Kombi. Existem fotos de pioneiros que costumavam estacionar os carros e pousar com toda a família no meio do tronco destas árvores ancestrais.






Eu fui levada a sentar num tronco, fechar os olhos e meditar no meio da força desta natureza tão poderosa. Senti-me muito pequena, mas “pertencendo” a este Universo  e compartilhando esta Energia.


Deste parque, dirigimos até Denmark, uma pequena cidade bem no Sudeste.
Fizemos algumas paradas em lugares convidativos e, um destes lugares, era uma fazenda muito graciosa com koalas, cangurus, um camelo, muitos cabritos, lhamas. E um filhote de canguru que havia sido abandonado pela mamãe. Ao pular uma cerca, o bebê caiu da sua bolsa. Talvez, para a mamãe canguru, isto significava que o seu bebê estava doente. A partir deste dia ela o rejeitou e não o aceitou de volta. Foi uma delicia dar mamadeira para o bebê canguru. Sugeri que o seu nome seja ‘VIDA”. E eu sou a madrinha. Rsssss... 





Garoava, mas mesmo assim fomos explorar algumas praias. São lindas!  Mas na manhã seguinte, já com sol, foi possível ver as lindas praias: Ocean Beach, Greens Pool, Williams Bay.  Algumas destas praias têm rochas na água, criando pequenas baias que parecem piscina construida de azulejo verde água, criando uma paisagem bem convidativa para cair na água. Pena que estava muito frio.
Todas estas cidades têm acomodações desde backpacker até B&B bem confortáveis e chics. Na entrada das cidades existe o Centro de Informação ao Turista que pode auxiliar na busca de acomodação, até sugerir os melhores passeios.



Vou ficar por aqui...  
Depois volto com mais Austrália, guiando Vocês por caminhos cheios de placas que divertem... "cangurus atravessando", "tartarugas",  "emas", "jacarés"  e "passos humanos". rssss.
Até logo mais.
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sábado, 25 de agosto de 2012

25/08/2012
Tive uma semana bem tranquila.  E taí uma coisa que recomendo para os Viajantes de Plantão. Tirar um intervalo de alguns dias entre uma atividade e outra para ter a oportunidade de "amadurecer" e "absorver" as experiências vividas. Parece-me que, quando vivemos experiências ricas umas atrás da outra, sem entendê-las, perdemos alguma  coisa do aprendizado. 
Fez uma semana gelada aqui em Margaret River... E úmida... Muito úmida. O tempo é bem maluquinho... Chove, desaba o mundo e, de repente, brilha um sol tímido, medroso de se molhar. rssss. Dai eu me animava, calçava o tênis, pegava a bike, colocava o capacete (obrigatório para ciclistas aqui no oeste da Austrália) e.... não passava do portão. Já voltava a chover. Devagar, para depois desabar e me mandar de volta para dentro de casa. Tá bom... não vamos brigar. Vou na locadora de filmes, na seção de "World Movies" e me confundo, me perco, me fascino, me surpreendo com a variedade de filmes de arte. Diretores de todas as nacionalidades, filmes que não passam em circuitos comerciais e, muito menos, na cidade onde moro: Santos, no estado de S.P. Lógico que os filmes Indianos têm minha preferência, já que sou tão ávida por conhecer os costumes desse País que me magnetiza.
Logo chega minha amiga de El Salvador, filha de chineses e que mora em Houston. Ela vem me encontrar e vamos ficar viajando por três semanas. Não é muito legal uma coisa destas acontecer?? Um dia, a Meyling foi para o Brasil fazer uma auditoria na Empresa onde eu trabalhava e, simplesmente, ficamos amigas.  E olha que ficar amiga de "auditor" requer desprendimento. Isto já faz uns 12 anos.  Nosso roteiro está atraente... Então aguardem relatos e fotos do Sudeste da Austrália onde crescem as famosas, enormes e respeitas anciãs KARRI TREES. É primavera e as flores selvagens estão no seu auge. Eu já tive uma amostra da leveza, do colorido, da variedade, da riqueza e da "sapequice" dessas flores. Depois voamos para Sydnei e, por que não??? Vamos viver alguns dias de grande e cosmopolita capital.  E, de lá, direto para as Grandes Barreiras de Coral, em Cairns.  É uma das 7 maravilhas naturais do mundo. E, finalmente, Nova Zelândia. Muitos já me falaram que é o Paraíso.  Como definir o Paraíso?? Como escolher UM?? Será que o Paraíso não está dentro de nós mesmos quando nosso coração está feliz?  E, então, todo lugar é seu Paraíso Particular???
Bem... só queria mandar notícias. E dizer que não "pendurei as chuteiras". Ainda temos muito pela frente.  Então... engraxem as rodinhas, apertem os cintos e limpem as lentes... dos óculos e das câmeras fotográficas. 
ALEGRIAS!!
P.S.... prá não dizer que não falei de flores, seguem fotos de um concerto com uma banda jovem, alternativa e muito vibrante que assisti nesta semana. É a DEEP BLUE ORCHESTRA.



E compartilho esta fotinho, tirada numa festa de aniversário infantil, quando a Vida (de rosa) disputa a posse da boneca Barbie que está nas mãos da linda aniversariante, Milena. E, quando ela perde a posse da boneca....... chora!! O que mais fácil uma criança sabe fazer para exigir seus direitos. Lindinhas....

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

MY WWOOFer EXPERIENCE - PARTE V


Voltei para a fazenda para mais uma semana de convivência e era como se eu estivesse voltando para casa. Coisas apaixonantes acontecem na minha vida.
O que eu quero falar aqui é sobre o conceito do WWOOF (Willing Workers on Organic Farms). Esta ideia surgiu na Inglaterra em 1971 e, inicialmente, era conhecida como “Working Weekends on Organic Farms”.  A ideia inicial era propiciar às pessoas da cidade a oportunidade de usufruir  a vida no campo, conhecer práticas agrícolas e divulgar o movimento de agricultura orgânica.  Foi um sucesso e se espalhou pelo  mundo. Existem fazendas e pequenos produtores no Brasil inscritos como anfitriões.  O WWOOFer pode ser solicitado a fazer de tudo na fazenda. Seu trabalho não estará restrito a atividades agrícolas. Poderá ajudar na construção de novos projetos, na manutenção da fazenda e até mesmo nos afazeres domésticos da casa. O anfitrião fornece casa e comida.  Aqui na Austrália o WWOOFer só precisa trabalhar meio período. O conceito é que ele tenha tempo para estudar o que lhe interessar, conviver com os outros WWOOFer´s, passear e conhecer a região onde está hospedado.  Alguns anfitriões adoram passar seus conhecimentos!  É preciso ter a mente muito aberta, ser bastante independente para não se tornar um peso para o anfitrião, aceitar mudar seus hábitos e levar consigo o que quer que seja um vício (ex.: CHOCOLATE!!!). Não se deve esperar que o anfitrião atenda todas suas vontades/necessidades.
Eu tive muita sorte com meus anfitriões e com a fazenda.  Muito linda! A natureza é rica nesta pequena cidade de Donnybrooks, no oeste da Austrália. É inverno, faz muito frio à noite, durante o dia o trabalho intenso aquece.  O Brett gosta de ensinar e o fato de eu ter feito o curso de Agricultura Biodinâmica contribuiu para o sucesso da minha experiência porque eles são religiosamente biodinâmicos.  O Brett faz seminários e cursos na fazenda.  
O que tem chamado muito minha atenção é o uso costumeiro de energia solar aqui na Austrália. Principalmente nesta área que é tão rural. Todo o calor e eletricidade vêm de energia solar. Eles gastam muito em painéis solares, mas –muitas vezes- o governo reembolsa o valor gasto para incentivar o uso cada vez maior desta tecnologia. Até mesmo a bomba d´água é movida por energia solar. No meio do açude tem uma barcaça com os painéis e uma bomba de deslocamento positivo e funciona super bem. É um sistema bem simples, segundo o Brett.  Eles também levam muito a sério os projetos de captação de água de chuva porque no verão podem sofrer com falta de chuva.  Armazenam a água em grandes caixas d´água, além dos açudes.
O silêncio me permitia ouvir o trabalho intenso das abelhas sempre começando no meio da manhã, quando o sol já aquecia as flores... A chuva, quando mais intensa e muito bem vinda pelo Brett, nos presenteava com o coaxar engraçado das “rãs gargalhadoras” (“laughing frogs”)... A ventania, comum na região, nos fazia temer pela derrubada de grandes eucaliptos mais idosos e frágeis. E, quando arrancava, trazia junto um torrão de terra junto com a robusta raiz.  E o fogo aceso da lareira durante todo o tempo aquecia e quebrava o silêncio com o criptar das labaredas.  O chá com  leite às 10:30 e às 15:30 hr quebrava a rotina do trabalho, religiosamente. O mugido alto e sofrido das vacas, mesmo ao longe, dava sinal claro que era preciso trocá-las de piquete porque a comida estava escassa para uma turma tão grande e faminta. Ou que algum bezerro danado de levado havia pulado a cerca elétrica e se afastado da mãe aflita.  Eu amava preparar o jantar... colher uma alface crocante, pura saúde, para complementar uma salada de legumes também da fazenda: abóbora, batata inglesa, batata doce, couve-flor, brócolis.  Obrigatória uma taça de vinho todas as noites. Bom exercitar o ouvido com os diferentes barulhos noturnos, da madrugada, do amanhecer, do final de tarde. E se divertir com as travessuras da Pepper, uma gata selvagem, que interage de todas as formas e que adora caçar e comer pequenas aranhas que se espalham por todos os cantos da casa. Ensinei a Pepper a beber água corrente da torneira. Ela adorou!!  Tudo pode ser enriquecedor. A discussão sobre um livro do Paulo Coelho, surpreendentemente largado na mesa principal da sala de jantar.  Descobrir que a Leonie conhece a obra do Paulo Coelho melhor do que eu. E compartilhar que o meu escritor favorito contemporâneo é um Australiano.  Coincidências?? Sincronicidades?? O sentimento de “pertencer” ao ser convidada para opinar sobre a melhor cor da tinta para pintar a sala de aulas onde acontecem as aulas de biodinâmica.
Me questiono se devia ter vivido esta experiência mais cedo na minha vida... Como tenho certeza de que as coisas sempre acontecem no momento certo, a resposta é, imediatamente, NÃO.  Foi rica agora.
Ao voltar de ônibus para Margaret River, sinto uma felicidade tranquila por estar encerrando mais uma experiência bem sucedida na minha vida.








ALEGRIAS!!  E obrigada Prem Baba por ter me ensinado a compreender a felicidade. 
MY WWOOFER EXPERIENCE - PARTE IV


06/08 – 3º dia na fazenda
Sempre acordo antes da Leonie e do Brett. Movimento-me devagar para não acordá-los. Hoje resolvi ir caminhar bem cedinho. Mas quando cheguei perto do galpão, vi que o Brett havia trazido caixas da Cooperativa e que eu podia terminar meu trabalho com as abóboras. Descarreguei o caminhão e acabei de encaixotar as abóboras. Segui minha caminhada por um gramado lindo que me levaria para uma floresta logo depois da divisa com a fazenda. É uma subida relativamente íngreme.  Vagarosamente o tempo começou a mudar e senti aquele vento característico de chuva. Voltei de onde eu estava porque na floresta não teria abrigo contra a chuva.
Tomei chá com leite com o Brett.  Ah... quando acordo, sempre pego uma maça bem vermelha (maça da Branca de Neve) que colhi no dia anterior e que são deliciosas. Crocantes.
Hoje devo colher mexericas para um cliente da fazenda. E limões de duas espécies (“lemom” e “lime”). E poder os pés frutíferos. Subir em escada, esticar... esticar para tentar alcançar as frutas mais bonitas que sempre estão nos galhos mais altos. A Leonie percebe minha dificuldade e vai me socorrer. Que bom!!
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Ah... não vou cansar Vocês com os detalhes do meu dia-a-dia.  Quero reforçar que esta experiência é muito válida.  Ser recebida na casa de pessoas que Você nunca viu na vida e conviver com elas de uma forma muito próxima. Assim como nas minhas viagens, onde é preciso sempre aceitar diversidades e mudar a percepção das coisas a cada experiência, aqui é a mesma coisa.  Formamos uma família. Eu lavo louça, cozinho para todos nós, lavo roupa, mantenho a lareira acessa, tenho acesso a tudo, como uma pessoa da casa.  Uma família formada de uma hora para outra e que, para felicidade de todos e o bem estar da nação,  deve viver em harmonia.
Fiquei feliz em aprender a tocar o gado com o quadriciclo e em dirigir o caminhãozinho 4 X 4 pelas estradinhas de terra.  O céu é o limite... Será???
Culpa minha!!!! O céu NÃO É O LIMITE... Eu tenho meus limites físicos e não os respeitei.  Fiquei mal.  Bom que eu estou voltando amanhã cedinho para a casa da Fernanda. Temi muito pela minha saúde. Dois dias depois eu ainda estava mal e passei o dia todo deitada, descansando.  Nem eu acredito!!! Só assim me recuperei.  Conselho aos futuros WWOOFer: respeitem seus limites. Normalmente estamos longe de casa e de todos e não é bom ficar doente nesta situação.
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Volto para a fazenda na semana que vem.  Com mais sabedoria!! Qualquer novidade, eu conto.
Nota: os brotos na terceira foto são de batatas que estão esperando ser plantadas... 




ALEGRIAS!
MY WWOOFer EXPERIENCE - III PARTE


05/08 – 2º dia de trabalho na fazenda
Acordo bem cedinho. Faço 1 hora de meditação ainda na cama. Hoje está muito frio. Olho pela janela e vejo que caiu geada.  Depois levanto, me visto e vou caminhar.  O dia está tão lindo. Céu azul, a lua ainda no Oeste e o sol brilhando no Leste.  Tiro fotos do açude e o lindo espelho d´água dos enormes eucaliptos ao redor.  Caminho até o piquete onde está o rebanho. Quando eles percebem minha presença, se agitam e começam a andar em minha direção. Eu me assusto porque não sei se a cerca está eletrificada e se eles vão parar. Um bezerro consegue pular a cerca e vem para o outro lado do piquete.  Dou meia volta e tento me afastar. Mas as vacas, num coro uníssono, denunciam minha presença. A mãe do  bezerrinho, que está sozinho do outro lado, muge.
Encontro o Brett no caminho, paro para conversar, falamos sobre o dia lindo e ele está considerando voar. Ele tem um pequeno avião – um Ultraleve. É apaixonado por voar. A Leonie foi trabalhar de novo.
Vou tomar café e depois nossa tarefa é colher verduras. O Brett engata uma carreta no quadriciclo, eu carrego as caixas, monto na carreta e lá vamos nós para a roça. É tão divertido andar na carreta. Apesar do frio... O Brett está levando roupas de borracha –calça e jaqueta- para usarmos durante a colheita. Parece tudo tão fácil e nada cansativo. Colhemos 8 caixas entre couve-flor e repolho. Quando terminamos, ficamos encostados na carreta, conversando. Eu percebo a paz que existe neste canto e me parece que nada pode destruí-la.  É linda a vista. Vê-se muito ao longe...  Conversamos sobre certificação orgânica, biodinâmica, custos e preço pago pelas verduras. A certificação aqui não é tão cara quanto no Brasil, mas se paga 1% de todo o faturamento para a Empresa Certificadora. Acaba ficando tão caro quanto, ou até mais. Sempre que paramos para um papo, o Brett me fala alguma coisa sobre agricultura biodinâmica ou sobre Antroposofia. A Leonie e ele leem  juntos, à noite, algum livro do Steiner e o discutem. Ele sabe muito!
Pausa para o café...
Volto para terminar o meu trabalho com as abóboras.
Hoje é domingo.  Vou aceitar trabalhar só meio período.
Mesmo porque, a alegria-sem-causa e a paz caminham de mãos dadas, como duas melhores amigas e não quero perder este momento.
ALEGRIAS!!


MY WWOOFer EXPERIENCE - parte II


Minha primeira tarefa: ajudar o Brett a transferir o gado de um piquete para o outro. Eu não tenho experiência alguma com gado. A maioria do rebanho é gado ANGUS e alguns poucos uma mistura de ANGUS com outra raça. É um rebanho estritamente de corte e o Brett sequer ordenha as vacas. Os bezerros têm uma infância feliz. Ele usa arame eletrificado para separar os piquetes. Cuida do capim com preparados biodinâmicos e faz cobertura com composto também biodinâmico. Conhece, só de olhar, o que o capim precisa: Nitrogênio? Potássio? Cálcio? Ferro??  E sabe também o que o rebanho precisa só pelo esterco... Hoje ele decidiu que eles precisam de um pouco de celulose porque o esterco está muito solto.  O rebanho fica logo agitado ao perceber nossa aproximação porque sabe que pode ganhar comida, ou ser transferido para um pasto mais exuberante. O Brett usa um quadriciclo para tocá-los.  Aliás, ele usa este quadriciclo um bocado para se locomover dentro da fazenda.  Eu sou incumbida de segurar o arame,  que neste momento não está conectado na energia elétrica rssss, para impedir que o gado se espalhe.  Dou uma de corajosa, mas não conheço o comportamento do gado e não sei se vou conseguir. O Brett toca o gado, grita, chama-os de “IDIOT” e ‘FOOL” aqueles que não seguem o rebanho.  Eles são transferidos para um piquete onde tem um grande monte de composto de esterco de galinha e, principalmente, os novilhos adoram subir no monte e comer o composto. Minha tarefa: isolar o composto, com fio eletrificado.  Corro para o galpão, pego um rolo do fio, umas hastes de apoio e nem sei por onde começar.  Melhor começar por algum ponto.  Tenho medo de tocar o rebanho que está todo ao redor do monte. Estou sozinha.  Pego um galho seco de eucalipto e vou, devagar, me chegando. Um touro me encara e não desvia o olhar. Eu paro e espero seu próximo movimento. Aos poucos o rebanho vai se movendo em direção contrária e eu me sinto mais segura.  Começo a cercar o monte e o Brett chega em seguida.  Me dá algumas orientações e, com ele perto, tudo é tão mais fácil.
Pausa para um café. Delicioso. Orgânico, importado do México, mas torrado e moído aqui perto por um expert em café. Paladar suave, sem acidez.  Meu amigo, Fabiano, adoraria.
A segunda tarefa foi lavar, separar por tamanho e encaixotar cerca de 2 centenas de abóboras. Faz frio e a água está tão gelada. Para mim parece um quebra cabeça já que é preciso respeitar uma altura máxima porque as caixas vão ser empilhadas até 4 de alto. Aos poucos, vou me sentindo mais à vontade.
Vamos almoçar.
Vou voltar para minhas abóboras e o Brett informa que WWOOFer só trabalha meio dia. Lógico que não compro esta condição porque não consigo deixar algo inacabado. Fico livre para fazer o que eu quero. Volto para as abóboras.
Paro por volta das 16:00  hr e vou tomar banho, aproveitando que a água  -só aquecida por aquecimento solar- deve estar bem quentinha.
Depois do banho, recolho a roupa da Leonie que está no varal porque ela foi trabalhar. Um pouco depois o Brett e eu jantamos e às 20:30 hr já estou na caminha. Cansada e muito em paz. Ouço mantras, leio meu  livro, jogo paciência no computador. E o soninho chega.