sábado, 13 de março de 2010

COMO OLHAR PARA SUA DOR FÍSICA

Num Satsang o Prem Baba respondeu sobre “dor física”. Ele explicou que, quando se sente uma dor, deve-se olhar para ela, prestar atenção nessa dor e tentar entender o que ela quer te mostrar. Porque, geralmente, a dor física é uma manifestação de alguma inquietação da sua mente. Lógico que muitas vezes é preciso procurar um médico, entrar em tratamentos alopáticos, mas –antes de tudo- entenda sua dor.
Ainda no Brasil eu comecei a sentir uma dorzinha enjoada no lado direito do meu abdômen. Ignorei-a.... Mas ela, insistentemente, me lembrava das conseqüências da Hepatite C no meu fígado. 43 horas em trânsito do Brasil para a Índia e a dorzinha lá... Ia e vinha...
Aqui no ashram tem pessoas que fazem seu SEVA (trabalho voluntário desinteressado) dando aulas de yoga, dança, tai-chi-chuan... E eu comecei a fazer aulas de danças. Muito legais!! Só que nessas aulas a coreografia pedia que a gente girasse muito... E eu comecei a sair das aulas sentindo-me tonta e enjoada, até que um dia o mal estar persistiu por dois dias... Xii... aquela dorzinha do lado mais esses sintomas de enjôo.... Fiquei um pouco mais assustada.
No terceiro dia eu fui solicitada a ir até Rishikesh (uns 20 minutos de toc-toc) para comprar flores para o altar do Prem. A caminhada até a parada do toc-toc é puxada!!! O caminho é meio longo... E eu fiquei adiantando um monte de coisas e fui almoçar por volta das 15:00 hr. Quando acabei de almoçar, começou uma dor de estomago aguda e forte. Tomei um banho e reuni forças para ir para Rishikesh. E a dor aumentando... Fui assim mesmo.
Andar de toc-toc (rikishó) é uma aventura. O normal “seria” ele levar no máximo 6 pessoas nos bancos de trás e no máximo 2 na frente junto com o motorista. Mas ele leva quantos estiverem esperando para serem levados. Todos se espremem quanto podem para caber mais um sentadinho no banco... Desta vez eu fui só com meia “banda” sentada... Bem de ladinho.
Consegui caminhar até a beira do rio, onde vendem as flores, escolhi as mais bonitas, dei uma caminhada e a dor de estomago me acompanhando... (... pois é... ela nem me ajudou a carregar o pacote de flores). Entrei também numa rua onde não tinha estrangeiros onde vendiam verduras e legumes... Comprei muitos vegetais!! Também limão e gengibre para o famoso “GINGER, LEMON, HONEY TEA”. Temos uma cozinha aqui na pousada.
Toc-Toc de volta (menos cheio desta vez), caminhada de 20 minutos do ponto até o ashran. Cheguei ao final de uma aula de yoga e a professora começou a dar relaxamento. Larguei tudo, sentei no chão e acompanhei o relaxamento... Daí lembrei de olhar para aquela minha dor. Um processo interessante... Conversei com minha dor: “O que Vc está querendo me mostrar?? O que eu preciso enxergar em mim e curar para que Vc vá embora??”. E a resposta veio na hora: “Quando Vc vai enxergar a sua dor em perder sua mãe? Qdo Vc vai vivenciar o seu luto? Qdo vai chorar as lágrimas presas no seu coração??”. E o meu coração, na mesma hora, manifestou sua tristeza... E eu a aceitei. Não fiz de conta que ela não existia... não me distrai com outra coisa, não a neguei sob a alegação de que “morte faz parte da vida”, ou ainda “eu fiz o meu melhor enquanto minha mamãe estava viva e não tenho que ficar triste agora”. Aceitei.... De verdade... E a dor passou!!! Foi embora simplesmente.

Alguns minutos depois fui para o meu quarto e terminei o meu processo de cura. Chorei muito, falei coisas que –apesar de todo o tempo que estive ao lado da minha mamãe durante sua despedida – não tinham sido ditas. Fiz perguntas que não tive coragem de fazer para ela para não magoá-la.. As respostas talvez venham num sonho.... Ou talvez as respostas não sejam importantes. O importante é eu ter a coragem de verbalizar as perguntas e ouvi-las da minha boca.
ESSA ERA A CURA PARA A MINHA DOR!!
Namaste!!

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