sábado, 11 de agosto de 2012

15/07/2012
Estou no ônibus para Arusha. Comprei minha passagem na melhor classe disponível e constato agora que isto não tem o menor significado. Bem... não é esta a interpretação correta. A “melhor classe” –dentro dos padrões da Tanzânia- é sim um pouco melhor do que os ônibus que carregam os sem-terra no nosso querido País. Se comparo com os demais ônibus estacionados neste Terminal tão caótico e sem qualquer estrutura percebo que –SIM- meu ônibus é “semi luxo”. O motorista do taxi que eu contratei ontem à noite na porta do hotel é muito educado, gentil e tem um carro limpo e moderno. Quando entrou no portão do terminal, logo um homem veio correndo atrás do carro. O estacionamento não tem asfalto, faixas no chão de terra para marcar as vagas (...estou esperando muito!!!), cobertura. Fiquei assustada porque logo percebi que não acharia meu ônibus a tempo se me metesse sozinha no caos do terminal. Olho desamparada para o motorista do taxi, num pedido sem palavras de “socorro”. Ele fala pouco Inglês mas logo me tranquiliza...”I´ll take you to your bus”. Foi difícil para ele encontrar meu ônibus. Só me largou quando me deixou na porta do ônibus onde TODOS achavam que tinham prioridade. Está tudo bem agora... Vim para a Tanzânia e quero sim conhecer a TANZÂNIA. Não consigo admitir vir para um país pobre na África só para turismo. Fazendo de conta que a pobreza não existe. Assumindo uma de superior e de falsa rica. A riqueza de cada um está na sua alminha.... (“Calminha alma minha.. Vc tem muito prá aprender”) E –quem sabe- o povo da Tanzânia seja mais rico do que eu... No guichê de compra de passagens ganhei a poltrona # 17 na janela. Isto não quer dizer nada... O moço à porta do ônibus mandou-me para a 23. Estou sentada ao lado de uma moça gorda, que ocupa o assento dela e parte do meu e todo o apoio de braço. Que, absolutamente, não fala Inglês. Eu continuo com o meu escasso “Jambo” e “Asante”. Ah... acrescentei mais uma: “KARIBU” (= De nada, ou seja bem vindo). Estou literalmente trancada neste assento na janela. Está difícil achar espaço para teclar no meu netbook (que, absolutamente, não combina com o cenário). O ar condicionado funciona!!! BINGO! E tem serviço de bordo... Acabei de ganhar uma balinha. E vi que trouxeram para dentro do ônibus refrigerantes gelados. Ontem, naquele mercado de frutas, comprei mexerica, maça, pera, manga (D E L I C I O S A S) e um pacote com tâmaras em conserva. E trouxe do Brasil minha saladinha de frutas secas + castanhas. O ônibus deve parar em algum lugar para necessidades básicas. Conto depois...
Mas sim... a pobreza é feia. É feia porque é desorganizada, suja, sem estrutura, sem cultura. É feia porque desperta sentimentos ambíguos dentro de mim, classe média de um País que faz parte do BRICS!!! Percebo claramente hoje que amei a Índia desde meu primeiro contato porque entrei nesse País pela “porta da espiritualidade”. E entendo porque algumas pessoas odeiam a Índia e se propõem a nunca mais lá voltar. Para mim –e percebam, pelo amor de Deus, que isto é absolutamente pessoal- não tem sentido ir para países desenvolvidos se quero continuar meu crescimento pessoal. Se quero parar de viver num mundo de ilusões e negando o que é feio e pobre. Ou me negar a mudar o CONCEITO de feio e pobre... É simplesmente uma questão de escolhas... Isto me mostra que, sim, posso fazer coisas para contribuir com a mudança... para melhor.
A paisagem da minha janela faz-me sentir saudades do verde exuberante do nosso Pais.
Vou parando por aqui... Vou curtir a viagem. Estou bem... estou tranquila e me sinto segura. O conforto fica para depois, quando eu estiver na Austrália.
ALEGRIAS!!
Cheguei em Arusha... Não foram 9 horas e sim 11... Ufaa!! O “ar condicionado funcionando” foi uma mera ameaça. Mas não estava calor... E minha janela abria sozinha e eu tinha um vento forçado no meu rosto.
E a paisagem continuava feia e seca... Campos e campos de milho secos, sem vida... Sujeira, crianças brincando nos quintais de terra... Mulheres carregando baldes de água na cabeça, caminhando longe para ter acesso a uma torneira.  Mas, no meio desta falta de vida, as cores das roupas das mulheres sempre sobressaem pelo colorido. A cada parada do ônibus, pessoas corriam para vender ora laranjas, ora tomates e cebolas, ora biscoitos, etc. Eles não gostam de serem fotografados. Então não esperem muitas fotos. A parada oficial num restaurante de estrada foi tranquila. O banheiro é razoavelmente limpo... Só não comi... Me perdi no meio do cheiro de churrasco de não sei o que... E, na minha opção como vegetariana, fiquei sem opção. Interessante que passei o dia só com poucas frutas e água. E deu certo.
De repente comecei a ver BAOBÁS... Me encantei... Namorei-os e... adormeci. Quando acordei, parecia que eu tinha atravessado uma fronteira no meio dos BAOBÁS, talvez pelas mãos do Pequeno Príncipe, e a paisagem passou a “esverdejar”... Sinal claro de água... E as montanhas começaram a se definir. E o clima a mudar... E a Tanzânia mudou!!! Passou a ficar mais bonita, com hortas bem organizadas (...vou descer e cuidar dessa terra....) e produtivas. 
Quando, finalmente cheguei, tinha alguém com uma plaquinha com o meu nome me esperando... Confesso que dá um alivio.... E me trouxe para um hotel bem confortável, com uma cama charmosa com mosquiteiro. Para quem procura indicação, o nome do hotel é LUSH GARDEN HOTEL. Aqui está hospedado um grupo de italianos que veio fazer um trabalho de prospecção de água e criação de poços para atender uma grande parte da população que precisa andar de 5 a 6 kms para trazer, na cabeça, um balde com 20 lt de água. Dizem que é difícil encontrar água realmente potável... E que o governo não colabora muito em montar o sistema de distribuição e tratamento.
Fato típico de hoje: um jovem negro aqui do hotel já se ofereceu para voltar comigo para o Brasil. Quer que eu prometa que eu venho busca-lo antes de eu ir embora. Sinto muito decepcionar meus fãs brasileiros.... kkkkk.... Brincadeiras à parte... o que eu represento para eles??? A liberdade e uma vida melhor?? Ou, como comentou uma amiga: "a falta de perspectivas é tão grande que eles se oferecem como mercadorias"
Estou em paz... Estou feliz... O vento no meu rosto durante a viagem de ônibus me dá a certeza de que fiz a escolha certa. Estou no lugar certo. É aqui que eu devia estar.
ALEGRIAS!!






Desta vez estou sendo ousada. Planejei uma viagem de 8 meses. Começo pela Tanzânia, em seguida Austrália, com direito a viagens internas com uma amiga de Houston que vai me encontrar lá, voamos para Nova Zelândia. Minha amiga volta para Houston... eu volto para Austrália. Mais algumas semanas e lá vou eu perseguir meu destino na Índia.  Confesso... a Índia é o meu destino. Desde o inicio. Mas eu quero saber controlar minha ansiedade e estar madura o suficiente para quando chegar lá, saber -de uma forma sábia e tranquila- reconhecer o que me levou até lá.
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TANZÂNIA

Voltei do meu passeio para o hotel para registrar o meu sentimento ao andar no meio do povo de Dar es Salaam. 
A Tanzânia tem 50% da sua população muçulmana e 50% cristã. E por isto se vê muitas mulheres usando seus trajes pretos e a burca, escondendo totalmente o seu corpo e o seu rosto. Percebo até a dificuldade em dizer se aquela mulher é negra ou branca.
Fico feliz em perceber que o meu olhar é de amorosidade para com todos. E, no inicio, uma felicidade suave me conduzia. Caminhei no meio de um mercado bem popular, onde são vendidas muitas galinhas e pombas presas em uma pequena gaiola de fio natural, frutas –os abacaxis são os mais lindos, mas os provei hoje de manhã e são azedos- , hortaliças e legumes. 99% da população até aqui são negros. E –aparentemente- pobres. Entusiasmam-se a me ver passar e sinto que fiz a escolha correta ao usar uma saia longa. A maioria das mulheres usam suas roupas coloridas e compridas. Muitos tentam se comunicar comigo e até agora só aprendi a responder o cumprimento mais comum –JAMBO!! (Olá!) - e a agradecer –ASANTE!!- . Comprei minha passagem de ônibus de DAR para ARUSHA. Uma viagem de 9 horas. Lembra-me da minha experiência na África do Sul quando percorri de Johanesburgo até a Cidade do Cabo numa viagem de 18 horas e eu sendo a única passageira branca no ônibus lotado. Vamos ver como vai ser amanhã.  Existem muitas empresas de ônibus que fazem este trajeto e é preciso escolher com cuidado. Duas referências: "Dar Express" e "Kilimanjaro Express". São as mais caras, mas os ônibus são um pouco mais confortáveis e os motoristas dirigem com mais segurança.
Voltei caminhando pelo mesmo mercado. As ruas são muito sujas... Os ônibus são mal cuidados, velhos e pequenos. A passagem custa 300 shillings (que equivale a, aprox., US$ 0,25. A taxa de conversão é TZS 1500,00/US$ 1,00). E decidi pegar um destes ônibus para ir até o Ferry. Porque soube que lá existia um mercado de peixes. Bom mencionar que a minha referência de Mercado de Peixes é o de Santiago, no Chile. Então sou apaixonada por Mercados de Peixes. Desci no ponto final e o cheiro de peixes denunciou que aquele era o lugar que eu estava procurando. É um grande mercado... Existem divisões onde muitas pessoas usam aventais brancos e estão cozinhando... Várias mesas onde muitas pessoas limpam os peixes e a água suja escorre pela calçada ... inexistente... Formam decoradas pilhas de variados peixes, de mini manjubinhas... Existem alguns barcos escuros e mal cuidados ancorados e muitas pessoas indo e vindo entre o barco e o píer.... inexistente!! Esta cena me lembra de um quadro que vi alguma vez com os escravos chegando em algum porto do Brasil e sendo descarregados como cargas. Do outro lado da rua outra divisão do mercado com pernas de polvo cozidas e outros frutos do mar e potes de pimenta, prontas para consumo. Uma tanzaneza percebe meu interesse e me oferece uma perna de polvo que eu aceito, agradecida. E provo na frente dela. Gosto!! E logo atrás uma grande área com todos os tipos de peixe secando ao sol. Fico cautelosa em fotografar. Tenho a consciência de que fotografar pode ser, em muitos casos, uma forma de agressão. E eu respeito a cultura local. E, dentro do meu coração, vai crescendo um sentimento de vergonha. Apesar de eu não ostentar riqueza, sinto que a minha figura, com saia indiana longa, sandália CROC, camisetinha de malha fria, cabelos lisos e mais claros e pele tão branca é uma agressão para um povo que –declaradamente- é pobre. E o meu sorriso se desfaz. E assumo uma postura de reverência e decido ir-me embora. Tento sentar na muretinha suja e mal cuidada à beira do canal onde balsas fazem a travessia, mas é impossível pois todos os homens querem chegar perto, falar comigo, pedir dinheiro, saber de onde eu sou. Nada agressivo... curiosidade natural. Alguns têm atitude de respeito e me chamam de “Mama”... Decido procurar o meu micro ônibus no meio de dezenas de ônibus estacionados no meio daquela bagunça toda. E decido ser “da Tanzânia” e lutar por um lugar sentada no ônibus na hora da entrada quando todos se espremem pela porta pequena. De novo, um rapaz quer conversar comigo... Poucos falam Inglês. Só algumas palavras. Ele é educado ao se levantar e ceder o seu lugar para uma mulher que entra com uma criança embrulhada e carregada nas suas costas. Muitos falam entre si, mesmo sem se conhecer. Acho que esta é uma característica dos povos da África do Sul e do Leste. Mais ao Norte da África, nos países predominante muçulmanos, talvez este não seja o costume.
...enfim... existe pobreza na África sim. Uma pobreza que nós vemos em fotos, que nos toca, mas está longe. De perto, ela entristece. E estou numa grande cidade... Onde existe o progresso. Penso se não é isto que choca mais... Estou confusa... Pobreza é triste em qualquer lugar... No meio do nada... No meio do progresso. Será que, quando as pessoas estão no seu habitat natural, elas podem expressar seu verdadeiro eu e vivenciar sua cultura e tornar a pobreza menos feia???
Agradeço por meu desprendimento em querer chegar perto desta realidade. Em caminhar pelas ruas, em ir ao mercado de peixes, em andar de ônibus comum. Este desprendimento que me permite conhecer, de perto, a diversidade das culturas, dos países.
Volto para a rua para conhecer mais... E volto mais tarde com Vcs para compartilhar.
ALEGRIAS!!








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sábado, 13 de março de 2010

ENSINAMENTOS DO MESTRE - BAGHAVATAN

Prem se propôs a compartilhar seus sentimentos e percepções de como chegamos aqui e o que estamos fazendo aqui.
Começou.... “meditando sobre o Khumba Mela, evento cósmico que está acontecendo aqui neste lugar sagrado – vejo que não foi Vc quem escolheu vir até aqui. Deus te trouxe aqui. Sua escolha é uma parte pequena da realidade espiritual. É um aspecto da verdade. Vc foi trazido!!! E por quê?? Para deixar aqui seu passado. Para se alinhar com a vontade divina. Para se tornar um instrumento do amor. (AQUI EU COMECEI A CHORAR MUITO!!) Aquilo que Vc tinha como realidade está se desfazendo como areia que está escapando pelos seus dedos. Só lhe resta confiar na guiança do grande mistério. A verdade é que o medo é um dos seus favoritos filhos. O controle está se desprogramando do seu sistema. Graças a Deus!! Pouco a pouco Vc está realizando a grande transição do medo para a confiança, do estado de separação para o estado de união. E o mais interessante é que Vc não precisa fazer nada. Tudo está sendo feito para Vc. No Satsang Vc só senta e fique o mais receptivo que puder. Vc está sendo trabalhado a níveis muito profundos que a mente ou o ego consciente não podem identificar. Depois do Satsang, onde Vc recebeu uma tremenda energia espiritual, recebeu uma grande reprogramação genética, celular, permaneça em silencia. Se quando Vc sai daqui começa a conversar, esta energia volta para mim. Vá se abrindo conscientemente. Mova-se a partir da presença. De uma atenção especial à alimentação.”
Este foi o último Satsang antes do Bhagavatan que inicia dia 9 e termina dia 15. A programação será intensa com a leitura dos versos do Bhagavatan. E todo o sangha deve permancer EM SILÊNCIO TOTAL. Só falar o estritamente necessário (como pedir comida num restaurante...). Não se relacionar com os outros nem pelo olhar. Praticar seu guru-mantra, fazer meditação, ficar sozinho. Se se cansar da solidão, ir para a natureza. Praticar a austeridade inteligente.
Não há “depois desta semana de silêncio”. Devagar cada um começa a compartilhar com o outro o que recebeu aqui. Sejamos um “trabalhador da luz”. Colocando nossos talentos para re-estabelecer a paz no mundo, sendo um elo na cadeia da felicidade. Pouco a pouco manteremos o fogo desta conexão acesa.

PRÁ MIM SERÁ UM GRANDE DESAFIO. Acho que nem mesmo posso falar pelo Skype e talvez eu não venha tanto a Internet... Mas vou ficar em contato e mandando muitas energias para Vocês, para a HORTALEGRE para que ela seja uma fonte de amor, para toda nossas familias e amigos.
NAMASTE!!!

COMPARTILHANDO ENSINAMENTOS DO MESTRE

Este Satsang trouxe alguma luz para os meus problemas de relacionamentos amorosos... Tenho material para refletir e olhar para relacionamentos de outra forma.
ABC da Sexualidade
Medo profundo da intimidade. Intimidade implica em revelação, em se mostrar e acolher a revelação do outro. Essa intimidade só é possível se houver amor e para haver amor se faz necessária a purificação do egoísmo. O encontro com o outro vai mostrar o quanto Vc é egoísta, vai escancarar tuas imperfeições, mostrar o qto Vc tem desejo de ter poder sobre o outro, o qto tem necessidade de fazer do outro um escravo para satisfazer teus caprichos. É ainda ter alguém de quem Vc pode tirar a energia, quem satisfaça tia fantasia de ser amado exclusivamente. Todos os jogos que Vc joga para fazer o outro te amar exclusivamente ficam escancarados e isto te traz vergonha. Vc aprendeu desde pequeno que precisa ser perfeito e não pode mostrar imperfeições tão baixas. O outro que não é só parceiro sexual. Estou falando do outro que está chamando sua autenticidade, sua verdade, quem não tedeixa se enganar. O outro é o diabo para Vc, principalmente qdo Vc se escondeu atrás de uma máscara de um ser espiritualizado e agora tem que mostrar que, atrás dessa máscara, tem necessidades, impulsos sado-masoquistas, necessidade de machucar o outro.
A necessidade de “posse” precisa ser esquecida. Expressão sexual é manifestação de quem busca essa fusão, união. Todo ser humano busca essa fusão: fusão com a totalidade que vem através da integração masculino/feminino. E ela só é possível dentro de uma iniciação espiritual, experiência tântrica. Para experenciar tal fusão, que torna possível o casamento interior, se faz necessário VC purificar as “sombras” que existem na relação entre Vc e o outro. Tudo que se manifesta na sua psique se mostra na sua relação sexual. Se tem uma parte destrutiva dentro de Vc que não foi elaborada, purificada se mostrará na sua atividade sexual – nas fantasias, tendências no ato em si.
O outro é um ESPELHO e, para se ver, é necessário sber olhar o espelho. Qdo Vc estiver com o outro, sentir o impulso, tente fechar seus olhos e procure observar o que Vc está buscando. Mova-se consciente para este encontro. Esta experiência requer guiança, requer que Vc já tenha purificado um pouco a raiva com relação à sua mãe, ao pai. Para fazer este movimento precisa ter se libertado um pouco do seu passado. O outro vai te mostrar teu passado, aquele do qual Vc se envergonha e teme sofrer tudo de novo.
Assim, como Vc se revela para o outro, assim Vc se revela para Deus. Como esta primeira relação dá muito trabalho, Vc quer pular este estágio e ir direto para a relação com Deus. Mas o caminho não será completo.
É assim que Vc elimina seus karmas. Escancarando-os, olhando de frente, não fugindo do desejo que vai se livrar deles. Quando Vc está totalmente acordado, o desejo cai. Daí Vc está libertado.
NAMASTE!!

COMPARTILHANDO ENSINAMENTOS DO MESTRE

SATSANG EM 04/03/2010
O esquecimento dos “eus inferiores” é um processo natural do processo de purificação. Vc vai se lembrar e esquecer mtas vezes deles.
Isto é estudado no processo de purificação e transformação do eu inferior que é o ABC da Espiritualidade. Vamos rever os estágios dessa evolução da consciência:
1º estágio: A entidade humana em evolução tem a consciência adormecida. Vive no momento presente, mas não tem consciência disso. O que determina o presente são os sentidos. Neste estado somos monitorados por impulsos inconscientes, tanto negativos como positivos. A gente é “levada”. O “eu inferior” que sabota a felicidade e que são os mecanismos de defesa criados pelos choques de dor e se constituem em vingança, ciclo vicioso de masoquismo, Vc é levado pelas partes do seu “eu inferior”. Ex.: Vc sente ciúmes, inveja e é “tomado” por este sentimento, de à consciência poderes e não está presente em Você. Vc está totalmente identificado com aquela partícula da sua personalidade. Você é aquilo que sente. Mtas vezes, neste estágio, a gente fica zangada, odeia-se a si mesmo por ser assim, mas não consegue fazer diferente.
2º estágio: Depois do primeiro estágio do despertar, começamos a perceber que não somos aquele impulso que está passando por nós. Aquele “eu inferior” não é a nossa realidade final. “Estou com ciúmes, mas vai passar”. O ciúmes é um visitante. Assim como outros aspectos. V c pode já ter um distanciamento desse sentimento a ponto de observar esses “eus”, essas manifestações da sua parte sombria, à distância. Vc vai evoluindo neste estágio a ponto de perceber “Ok!! Estou tomado por este sentimento, mas sei que vai passar. Não sou eu. Está só passando por mim”. Daí Vc amadurecee experiência o 3º estágio da consciência.
3º estágio: Pode fazer uma escolha em dar passagem ou não para este “eu inferior”. Ex.: estou trabalhando o EU do orgulho - sempre quero ter a última palavra – Se já identificou esse EU e está neste 3º estágio, quando ele está vindo, Vc pode deixar o outro ter a última palavra. É uma ESCOLHA;
4º estágio: integração deste aspecto. Significa a transmutação, transformação. É iluminado pela luz da compreensão e torna-a consciente da relação “causa e efeito”, de onde vêm esses entimentos, nega os sentimentos que te traziam esses “eus inferiores”. Daí acontece a alquimia e Vc transforma: o orgulho em humildade, o medo em confiança, a avareza em compartilhar, a ira em paz, a mentira em verdade.
A PURIFICAÇÃO é a integração destes estágios.
NAMASTE!!!

COMO OLHAR PARA SUA DOR FÍSICA

Num Satsang o Prem Baba respondeu sobre “dor física”. Ele explicou que, quando se sente uma dor, deve-se olhar para ela, prestar atenção nessa dor e tentar entender o que ela quer te mostrar. Porque, geralmente, a dor física é uma manifestação de alguma inquietação da sua mente. Lógico que muitas vezes é preciso procurar um médico, entrar em tratamentos alopáticos, mas –antes de tudo- entenda sua dor.
Ainda no Brasil eu comecei a sentir uma dorzinha enjoada no lado direito do meu abdômen. Ignorei-a.... Mas ela, insistentemente, me lembrava das conseqüências da Hepatite C no meu fígado. 43 horas em trânsito do Brasil para a Índia e a dorzinha lá... Ia e vinha...
Aqui no ashram tem pessoas que fazem seu SEVA (trabalho voluntário desinteressado) dando aulas de yoga, dança, tai-chi-chuan... E eu comecei a fazer aulas de danças. Muito legais!! Só que nessas aulas a coreografia pedia que a gente girasse muito... E eu comecei a sair das aulas sentindo-me tonta e enjoada, até que um dia o mal estar persistiu por dois dias... Xii... aquela dorzinha do lado mais esses sintomas de enjôo.... Fiquei um pouco mais assustada.
No terceiro dia eu fui solicitada a ir até Rishikesh (uns 20 minutos de toc-toc) para comprar flores para o altar do Prem. A caminhada até a parada do toc-toc é puxada!!! O caminho é meio longo... E eu fiquei adiantando um monte de coisas e fui almoçar por volta das 15:00 hr. Quando acabei de almoçar, começou uma dor de estomago aguda e forte. Tomei um banho e reuni forças para ir para Rishikesh. E a dor aumentando... Fui assim mesmo.
Andar de toc-toc (rikishó) é uma aventura. O normal “seria” ele levar no máximo 6 pessoas nos bancos de trás e no máximo 2 na frente junto com o motorista. Mas ele leva quantos estiverem esperando para serem levados. Todos se espremem quanto podem para caber mais um sentadinho no banco... Desta vez eu fui só com meia “banda” sentada... Bem de ladinho.
Consegui caminhar até a beira do rio, onde vendem as flores, escolhi as mais bonitas, dei uma caminhada e a dor de estomago me acompanhando... (... pois é... ela nem me ajudou a carregar o pacote de flores). Entrei também numa rua onde não tinha estrangeiros onde vendiam verduras e legumes... Comprei muitos vegetais!! Também limão e gengibre para o famoso “GINGER, LEMON, HONEY TEA”. Temos uma cozinha aqui na pousada.
Toc-Toc de volta (menos cheio desta vez), caminhada de 20 minutos do ponto até o ashran. Cheguei ao final de uma aula de yoga e a professora começou a dar relaxamento. Larguei tudo, sentei no chão e acompanhei o relaxamento... Daí lembrei de olhar para aquela minha dor. Um processo interessante... Conversei com minha dor: “O que Vc está querendo me mostrar?? O que eu preciso enxergar em mim e curar para que Vc vá embora??”. E a resposta veio na hora: “Quando Vc vai enxergar a sua dor em perder sua mãe? Qdo Vc vai vivenciar o seu luto? Qdo vai chorar as lágrimas presas no seu coração??”. E o meu coração, na mesma hora, manifestou sua tristeza... E eu a aceitei. Não fiz de conta que ela não existia... não me distrai com outra coisa, não a neguei sob a alegação de que “morte faz parte da vida”, ou ainda “eu fiz o meu melhor enquanto minha mamãe estava viva e não tenho que ficar triste agora”. Aceitei.... De verdade... E a dor passou!!! Foi embora simplesmente.

Alguns minutos depois fui para o meu quarto e terminei o meu processo de cura. Chorei muito, falei coisas que –apesar de todo o tempo que estive ao lado da minha mamãe durante sua despedida – não tinham sido ditas. Fiz perguntas que não tive coragem de fazer para ela para não magoá-la.. As respostas talvez venham num sonho.... Ou talvez as respostas não sejam importantes. O importante é eu ter a coragem de verbalizar as perguntas e ouvi-las da minha boca.
ESSA ERA A CURA PARA A MINHA DOR!!
Namaste!!

TÔ DE VOLTA NO MUNDO... Continuando minha viagem...

Queridos:
Depois da minha volta brusca para o Brasil para cuidar da minha mamãe e viver momentos importantes na minha vida e depois da partida sofrida e justa da mamãe, fiz as malas e cai no mundo de novo. Continuei o que estava previsto. Estou na Índia. Vou, "slowly, slowly" alimentando este blog.

Muitas pessoas perguntam por que eu volto a Índia e, qdo eu respondo que quero encontrar minha paz e viver minha espiritualidade, as pessoas voltam com outra pergunta: “Mas precisa ir tão longe??”. E ai eu mesmo me questiono... Já encontrei mestres no Brasil que me ensinaram muitos caminhos e os iluminaram. Acredito mesmo que fui “iniciada” ai no Brasil com um padre chamado Moacir. Ou talvez com o pe. Zeca nos meus tempos de adolescência. Mas na Índia o caminho é mais intenso porque a gente faz um “mergulho” na espiritualidade. Tudo ao redor lembra divindades, bênçãos. Sinto que eu “compartilho” o mesmo chão com o DIVINO. E cada dia é um dia de aprendizado, descobertas, sentimentos ambíguos.
Ontem fui a Haridwar (não tenho certeza que é assim que se escreve) para conhecer um Swami (homem santo, sábio, um “lord”) que tem seu acampamento montado para o Khumba Mela (tampouco sei se é assim que se escreve).. É um Festival de Homens Santos quando milhares de Sadus, Swamis, Nagababa´s , etc se reúnem em uma cidade e ficam durante dois meses convivendo, orando, banhando-se no Ganges. Milhares de Indianos vêm para esta cidade para participar, principalmente, dos banhos santos no Ganges. Este Festival realiza-se a cada 3 anos em 4 diferentes cidades da Índia. Isto quer dizer que acontece em cada cidade a cada 12 anos. Neste ano está sendo aqui pertinho do nosso ashram.
O Swami que nos recebeu – NARDANAN-JI- é muito hospitaleiro. Almoçamos no ashram e depois ele nos levou visitar vários homens santos que também estão acampados por lá. Visitamos um rapaz mto jovem e com uma cara de criança travessa que preparou um CHAI delicioso para nós. Na barraca dele eles acenderam um tipo de charuto que aspiram mto forte, soltam a fumaça para cima. Não sei que erva eles fumavam. Daí ele se juntou a nós e fomos visitar um sadu que não se senta há cinco anos. Ele apóia um lado do corpo em uma balancinha. Fomos ainda para um outro grande acampamento com várias barracas e vários homens santos. Tinha muitos NAGABABA´s. Os Nagababa´s são sadus que vivem pelados e cobrem seus corpos com cinzas pois as cinzas os protegem do frio, do calor, de doenças. É mto diferente... Alguns já não ficam pelados todo o tempo “porque os tempos mudaram”. Sadus são pessoas que deixaram suas vidas materiais para trás para viver em austeridade e encontrar a santidade. E os Swamis são sadus com mais sabedoria. Mais ou menos isso... É difícil para mim, tão ocidental, entender essas diferenças. São sutis!! Como estávamos acompanhados do swami Nardana-Ji e do outro nagababa (jovem), éramos muito bem vindos nas tendas dos outros. Ofereciam CHAI, bolachinhas (na verdade, as bolachinhas ou qualquer coisa de comer são “prasads” = alimento abençoado por eles) e ficavam sentados só sentindo a energia das santidades. Depois continuamos nossa caminhada e fomos na tenda daquele famoso sadu que levantou o braço há uns 20 anos atrás e nunca mais o abaixou. O seu braço calcificou levantado e suas unhas são tão longas que dão voltas e voltas. Ele tem uns olhos claros, ou judiados pela catarata e um aspecto de muita paz. Chamou-me para colocar cinza na minha testa e me dar cinza como “prasad”. E eu coloquei essa cinza na minha boca para purificar-me.
É indescritível o que se sente nesses lugares. A energia e a espiritualidade são fortes e EU sentia que me esquecia do meu corpo e parecia flutuar.
Desse acampamento fomos para um lugar no meio do Ganges vazio (nesta época de inverno o Ganges fica seco em muitas margens. Só mesmo no verão, quando acontecem as monções, ele mostra toda sua força e inunda cada cantinho do seu leito) e cheio de areia fofa e muito branca. Largamos o carro e caminhamos quase 1 km para chegar até a floresta onde vivem vários sadus que optaram por viver uma vida isolada, totalmente na austeridade. Precisam de quase nada para viver, alimentam-se de coisas da natureza, bebem água do Ganges. O primeiro que visitamos é lindo... Tem um ar de criança muito feliz, tem uma casa em cima da árvore, fica sentado embaixo da árvore, em posição de lótus, mexendo numas florzinhas secas, em frente a uma fogueira semi apagada (era final de tarde, ainda claro), e, de vez em quando, ri do nada. Ri gostoso, sem restrições, riso de achar que a vida é linda! Ficamos sentados ao seu redor por uns 40 minutos, só sentindo a paz daquele momento. Ele falava em híndi com o Swami que nos levou até lá. Falava pouco... Senti uma vontade imensa de me manifestar e só veio na minha cabeça o mantra GAYATRI e comecei a cantá-lo baixinho. Saímos em silêncio e fomos conhecer outro sadu. Este mora numa caverna cavada por ele mesmo na areia dura nas margens do Ganges. A caverna tem uma entrada com uns 0,70 m de diâmetro e dentro deve medir cerca de 1,50 mt de comprimento por 1 mt de altura. Tem nada lá dentro!!! Ele fica sentado do lado de fora, tem um pequeno jardim (cujas flores precisam ser trocadas sempre porque naquela areia não brota flores) e um símbolo (está tudo fotografado e anexo a esta msg) e olha para as nuvens como se as acompanhasse. Talvez sua alma esteja em uma das nuvens... Eles todos têm rostos lindos!! Este dois sadus são muito jovens.
Depois voltamos para o acampamento do Swami e ele fez um pequeno Satsang para nós. Nos explicou porque os homens fazem aqueles sacrifícios: no momento que decidem –por exemplo- levantar um braço e não abaixá-lo mais, eles concentram toda sua energia naquela ação e controlam sua energia dessa forma. Talvez eles alcancem a santidade através dessas ações... Talvez não. Ele diz que muitos são “falsos sadus” e fazem esses sadanah´s (sacrifícios) para satisfazer seu próprio ego e mostrar aos outros “olha... veja o que eu posso fazer”. Contou-nos também o que o sadu da árvore disse: “As pessoas pensam que estão fazendo alguma coisa. Prá quê? Não tem o que fazer. Está tudo ai. Tudo pronto.” Falou também da ilusão do mundo ocidental – principalmente EE.UU. e Europa – onde pensam que são felizes. Como podem ser felizes se só correm atrás de coisas materiais, de contas, de Imposto de Renda, de Seguro Saúde, Seguro do Carro, Impostos mil e acumulam tensão e mais tensão? Isso não é felicidade. E que, infelizmente, na Índia as coisas também estão começando a mudar.
Enfim... foi um dia lindo!! Muita bagagem nesta mala infinita de grande e tão leve de carregar. Quanto mais ensinamentos, mais leve ela fica!! Quanto mais leve, mais cheia de riquezas!!
NAMASTE!!