sexta-feira, 17 de agosto de 2012


MY WWOOFer EXPERIENCE

Hoje foi o inicio de uma nova experiência na minha vida. E começou com aquela sensação de “será que eu vou conseguir” que é constante em todo novo projeto.
Fernanda e eu rimos no caminho para a pequena cidade onde eu iria encontrar minha  anfitriã:
´”Fe... está engraçado. A sensação é que eu sou a filha, Vc é a mãe e está me levando para um colégio interno.”
Lá vem a Leonie. Ela é uma mulher de uns 50 anos, meio descuidada, mas bem simpática. Logo de cara sinto-me à vontade com ela. Entramos na casa onde ela está. É de uma amiga dela. O Brett, marido da Leonie, chegou quase 1 hora depois e também tive certeza de que me daria bem com ele. Cabelo desarrumado, dentes meio amarelados, roupa descuidada.
Partimos depois do almoço. Paramos em alguns lugares e viemos para a pequena cidade, Donnybrooks, onde eles têm a fazenda. Eles são antroposóficos, os filhos estudaram em escola antroposófica e, pouco a pouco, percebo que o compromisso deles com o meio ambiente é prá valer!! Veneno na lavoura é inconcebível. Brett é a 4ª. geração de fazendeiros. Abandonou por um bom tempo a fazenda, foi atrás dos seus sonhos, conheceu a Leonie numa temporada na Nova Zelândia, onde era um WWOOFer e ambos cursavam Naturopatia.  A Leonie é 2ª. geração de fazendeiros.  Depois de um tempo, resolveram voltar para a fazenda aqui na Austrália e, junto com os herdeiros do avô do Brett, têm uma enorme área. Têm 3 filhos. Recebem WWOOFer já há uns 16 anos. Criam gado dentro das técnicas biodinâmicas , i.e., todo o pasto recebe os preparados que dá vida e energia cósmica à pastagem. Preparam seu composto e todos os preparados criados pelo Rudolf Steiner. Existe um pé de carvalho bem na entrada da casa e de lá tiram a casca para fazer um dos preparados.  No Brasil é mais complicado porque não temos carvalhos apropriados.  As bexigas do cervo conseguem de um vizinho próximo que cultiva veados. No Brasil é preciso importar as bexigas. E precisam plantar algumas ervas como a camomila, a urtiga, a mil folhas. O resto existe na natureza.   A casa é simples: 80% em madeira de árvores antigas que caíram por si só e que foram cuidadas e beneficiadas pelo Brett –SEM VENENO algum-.  Ele parece ser muito habilidoso e faz quase tudo na fazenda: do cultivo, da preparação dos insumos biodinâmicos, do cuidado com o gado até a manutenção de tudo, construção de novas áreas. Demonstra ter uma cultura rica e é muito antenado nas notícias do mundo. Sabe das privatizações forçadas do Hugo Chaves, sabe que a Bolivia tem seu primeiro presidente índio e que peitou a Espanha para nacionalizar a exploração de petróleo e aprova. Participa de grupo de estudo das 8 Conferências sobre Agricultura do Steiner pela 3ª. vez e confessa...”Sempre tem coisa nova para aprender”.  Entende que Steiner permite flexibilidade nos procedimentos, então varia algumas técnicas e acredita piamente nos resultados.  O calendário biodinâmico é sua bíblia e ele o interpreta com facilidade. Olha de longe e já tem a resposta ao que procura.
Tenho meu próprio quarto dentro da casa. Uma cama gostosa com dois edredons porque faz frio.  E só um abajur ao lado da cama. Não preciso de mais nada.  Está uma  noite linda de lua cheia e ela clareia tudo.  Brilha lá no alto e, ao fundo, o contorno das árvores forma sua moldura. É tão lindo. Barulhos só da natureza. Estamos longe de qualquer barulho da civilização.  Só a TV que está ligada na sala, onde estão a Leonie e o Brett.
Chove... Aqui é assim.  O céu está aberto... de repente, chove!! O Brett, assim como todo agricultor, adora e recepciona bem a chuva. Água é vida.
Vou dormir.  Amanhã sei que terei trabalho a fazer. E quero andar pelo pasto, quero cheirar o composto biodinâmico, tocar a terra. Xeretar na pequena horta.
Obs.: a última foto é de um Flowform que é usado para "dinamizar" os preparados biodinâmicos.




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