MY WWOOFer EXPERIENCE
Hoje foi o inicio de uma nova experiência na minha vida. E
começou com aquela sensação de “será que eu vou conseguir” que é constante em
todo novo projeto.
Fernanda e eu rimos no caminho para a pequena cidade onde eu
iria encontrar minha anfitriã:
´”Fe... está engraçado. A sensação é que eu sou a filha, Vc
é a mãe e está me levando para um colégio interno.”
Lá vem a Leonie. Ela é uma mulher de uns 50 anos, meio
descuidada, mas bem simpática. Logo de cara sinto-me à vontade com ela.
Entramos na casa onde ela está. É de uma amiga dela. O Brett, marido da Leonie,
chegou quase 1 hora depois e também tive certeza de que me daria bem com ele.
Cabelo desarrumado, dentes meio amarelados, roupa descuidada.
Partimos depois do almoço. Paramos em alguns lugares e
viemos para a pequena cidade, Donnybrooks, onde eles têm a fazenda. Eles são
antroposóficos, os filhos estudaram em escola antroposófica e, pouco a pouco,
percebo que o compromisso deles com o meio ambiente é prá valer!! Veneno na
lavoura é inconcebível. Brett é a 4ª. geração de fazendeiros. Abandonou por um
bom tempo a fazenda, foi atrás dos seus sonhos, conheceu a Leonie numa temporada
na Nova Zelândia, onde era um WWOOFer e ambos cursavam Naturopatia. A Leonie é 2ª. geração de fazendeiros. Depois de um tempo, resolveram voltar para a
fazenda aqui na Austrália e, junto com os herdeiros do avô do Brett, têm uma
enorme área. Têm 3 filhos. Recebem WWOOFer já há uns 16 anos. Criam gado dentro
das técnicas biodinâmicas , i.e., todo o pasto recebe os preparados que dá vida
e energia cósmica à pastagem. Preparam seu composto e todos os preparados
criados pelo Rudolf Steiner. Existe um pé de carvalho bem na entrada da casa e
de lá tiram a casca para fazer um dos preparados. No Brasil é mais complicado porque não temos
carvalhos apropriados. As bexigas do
cervo conseguem de um vizinho próximo que cultiva veados. No Brasil é preciso
importar as bexigas. E precisam plantar algumas ervas como a camomila, a urtiga,
a mil folhas. O resto existe na natureza. A casa
é simples: 80% em madeira de árvores antigas que caíram por si só e que foram
cuidadas e beneficiadas pelo Brett –SEM VENENO algum-. Ele parece ser muito habilidoso e faz quase
tudo na fazenda: do cultivo, da preparação dos insumos biodinâmicos, do cuidado
com o gado até a manutenção de tudo, construção de novas áreas. Demonstra ter
uma cultura rica e é muito antenado nas notícias do mundo. Sabe das
privatizações forçadas do Hugo Chaves, sabe que a Bolivia tem seu primeiro
presidente índio e que peitou a Espanha para nacionalizar a exploração de
petróleo e aprova. Participa de grupo de estudo das 8 Conferências sobre
Agricultura do Steiner pela 3ª. vez e confessa...”Sempre tem coisa nova para
aprender”. Entende que Steiner permite
flexibilidade nos procedimentos, então varia algumas técnicas e acredita
piamente nos resultados. O calendário
biodinâmico é sua bíblia e ele o interpreta com facilidade. Olha de longe e já
tem a resposta ao que procura.
Tenho meu próprio quarto dentro da casa. Uma cama gostosa
com dois edredons porque faz frio. E só
um abajur ao lado da cama. Não preciso de mais nada. Está uma
noite linda de lua cheia e ela clareia tudo. Brilha lá no alto e, ao fundo, o contorno das
árvores forma sua moldura. É tão lindo. Barulhos só da natureza. Estamos longe
de qualquer barulho da civilização. Só a
TV que está ligada na sala, onde estão a Leonie e o Brett.
Chove... Aqui é assim.
O céu está aberto... de repente, chove!! O Brett, assim como todo
agricultor, adora e recepciona bem a chuva. Água é vida.
Vou dormir. Amanhã
sei que terei trabalho a fazer. E quero andar pelo pasto, quero cheirar o
composto biodinâmico, tocar a terra. Xeretar na pequena horta.
Obs.: a última foto é de um Flowform que é usado para "dinamizar" os preparados biodinâmicos.
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