MY WWOOFer EXPERIENCE - PARTE V
Voltei para a fazenda para mais uma semana de convivência e
era como se eu estivesse voltando para casa. Coisas apaixonantes acontecem na
minha vida.
O que eu quero falar aqui é sobre o conceito do WWOOF
(Willing Workers on Organic Farms). Esta ideia surgiu na Inglaterra em 1971 e,
inicialmente, era conhecida como “Working Weekends on Organic Farms”. A ideia inicial era propiciar às pessoas da
cidade a oportunidade de usufruir a vida
no campo, conhecer práticas agrícolas e divulgar o movimento de agricultura
orgânica. Foi um sucesso e se espalhou pelo mundo. Existem fazendas e pequenos produtores
no Brasil inscritos como anfitriões. O
WWOOFer pode ser solicitado a fazer de tudo na fazenda. Seu trabalho não estará
restrito a atividades agrícolas. Poderá ajudar na construção de novos projetos,
na manutenção da fazenda e até mesmo nos afazeres domésticos da casa. O
anfitrião fornece casa e comida. Aqui na
Austrália o WWOOFer só precisa trabalhar meio período. O conceito é que ele
tenha tempo para estudar o que lhe interessar, conviver com os outros
WWOOFer´s, passear e conhecer a região onde está hospedado. Alguns anfitriões adoram passar seus
conhecimentos! É preciso ter a mente muito
aberta, ser bastante independente para não se tornar um peso para o anfitrião,
aceitar mudar seus hábitos e levar consigo o que quer que seja um vício (ex.:
CHOCOLATE!!!). Não se deve esperar que o anfitrião atenda todas suas
vontades/necessidades.
Eu tive muita sorte com meus anfitriões e com a
fazenda. Muito linda! A natureza é rica
nesta pequena cidade de Donnybrooks, no oeste da Austrália. É inverno, faz
muito frio à noite, durante o dia o trabalho intenso aquece. O Brett gosta de ensinar e o fato de eu ter
feito o curso de Agricultura Biodinâmica contribuiu para o sucesso da minha
experiência porque eles são religiosamente biodinâmicos. O Brett faz seminários e cursos na fazenda.
O que tem chamado muito minha atenção é o uso costumeiro de
energia solar aqui na Austrália. Principalmente nesta área que é tão rural.
Todo o calor e eletricidade vêm de energia solar. Eles gastam muito em painéis solares,
mas –muitas vezes- o governo reembolsa o valor gasto para incentivar o uso cada
vez maior desta tecnologia. Até mesmo a bomba d´água é movida por energia
solar. No meio do açude tem uma barcaça com os painéis e uma bomba de
deslocamento positivo e funciona super bem. É um sistema bem simples, segundo o
Brett. Eles também levam muito a sério
os projetos de captação de água de chuva porque no verão podem sofrer com falta
de chuva. Armazenam a água em grandes
caixas d´água, além dos açudes.
O silêncio me permitia ouvir o trabalho intenso das abelhas
sempre começando no meio da manhã, quando o sol já aquecia as flores... A
chuva, quando mais intensa e muito bem vinda pelo Brett, nos presenteava com o coaxar
engraçado das “rãs gargalhadoras” (“laughing frogs”)... A ventania, comum na
região, nos fazia temer pela derrubada de grandes eucaliptos mais idosos e
frágeis. E, quando arrancava, trazia junto um torrão de terra junto com a
robusta raiz. E o fogo aceso da lareira
durante todo o tempo aquecia e quebrava o silêncio com o criptar das
labaredas. O chá com leite às 10:30 e às 15:30 hr quebrava a
rotina do trabalho, religiosamente. O mugido alto e sofrido das vacas, mesmo ao
longe, dava sinal claro que era preciso trocá-las de piquete porque a comida
estava escassa para uma turma tão grande e faminta. Ou que algum bezerro danado
de levado havia pulado a cerca elétrica e se afastado da mãe aflita. Eu amava preparar o jantar... colher uma
alface crocante, pura saúde, para complementar uma salada de legumes também da
fazenda: abóbora, batata inglesa, batata doce, couve-flor, brócolis. Obrigatória uma taça de vinho todas as
noites. Bom exercitar o ouvido com os diferentes barulhos noturnos, da
madrugada, do amanhecer, do final de tarde. E se divertir com as travessuras da
Pepper, uma gata selvagem, que interage de todas as formas e que adora caçar e
comer pequenas aranhas que se espalham por todos os cantos da casa. Ensinei a
Pepper a beber água corrente da torneira. Ela adorou!! Tudo pode ser enriquecedor. A discussão sobre
um livro do Paulo Coelho, surpreendentemente largado na mesa principal da sala
de jantar. Descobrir que a Leonie
conhece a obra do Paulo Coelho melhor do que eu. E compartilhar que o meu
escritor favorito contemporâneo é um Australiano. Coincidências?? Sincronicidades?? O
sentimento de “pertencer” ao ser convidada para opinar sobre a melhor cor da
tinta para pintar a sala de aulas onde acontecem as aulas de biodinâmica.
Me questiono se devia ter vivido esta experiência mais cedo
na minha vida... Como tenho certeza de que as coisas sempre acontecem no
momento certo, a resposta é, imediatamente, NÃO. Foi rica agora.
Ao voltar de ônibus para Margaret River, sinto uma
felicidade tranquila por estar encerrando mais uma experiência bem sucedida na
minha vida.
ALEGRIAS!! E obrigada
Prem Baba por ter me ensinado a compreender a felicidade.
2 comentários:
Sonia
Liagora todas suas postagens sobre seu trabalho como woofer. Estou muito orgulhoso de ter uma prima como voce. Mais uma vez parabéns! Quero um dia ter uma experiencia senelhante....Deus me ajude....rsrs bjs
Li todos os dias na fazenda biodinâmica numa só paulada. Fantástico, Soninha...enriquecedor! Beijos!! Quero mais!!
Postar um comentário